DISTRIBUIÇÃO: SAGRADA FAMÍLIA, HORTO E REGIÃO

Flávio confirma Roscoe como seu candidato em Minas
19 de agosto de 2026
Flávio confirma Roscoe como seu candidato em Minas
19 de agosto de 2026

Gustavo Chalfun destacou os impactos do e-commerce, da terceirização, do trabalho autônomo e da inteligência artificial, além de enfatizar a importância da segurança jurídica nas decisões judiciais para trabalhadores e empregadores.

As transformações pelas quais passam as relações de trabalho e a forma como essas mudanças vêm sendo compreendidas pelos tribunais brasileiros estiveram no centro da palestra do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG), Gustavo Chalfun, ministrada hoje na Fecomércio MG. O encontro foi realizado durante a reunião do Conselho de Relações Trabalhistas da Fecomércio MG (CRT) e contou com os representantes da área jurídica da federação. 
Ao abordar o cenário atual, Chalfun destacou que o mercado de trabalho brasileiro atravessa um período de profundas mudanças, impulsionadas pelo avanço tecnológico, pela digitalização da economia, terceirização, contratação de profissionais autônomos e utilização crescente da inteligência artificial. Para ele, essas transformações apresentam oportunidades, mas também exigem atenção das instituições para que a inovação não resulte em precarização das relações de trabalho.
“O emprego tradicional continua ocupando posição central na economia brasileira e continuará merecendo a proteção constitucional e legal que lhe é própria. Ao mesmo tempo, ele passou a conviver com outras formas de organização do trabalho. O desafio das instituições está em reconhecer essa diversidade, sem permitir que a inovação seja utilizada como instrumento de precarização e, ao mesmo tempo, sem transformar a necessária proteção jurídica em obstáculo às mudanças legítimas da economia e da sociedade”, afirmou Chalfun.

MERCADO DE TRABALHO MAIS AMPLO E HETEROGÊNEO

O presidente da OAB-MG chamou atenção para os números do mercado de trabalho brasileiro. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil encerrou 2025 com 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. A taxa média anual de desocupação ficou em 5,6%, também a menor da série, enquanto o rendimento real habitual médio alcançou R$ 3.560, recorde da série histórica. O país tinha ainda 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, enquanto a taxa de informalidade correspondia a 38,1% da população ocupada.
Os indicadores, segundo Chalfun, revelam um mercado de trabalho em expansão, mas profundamente heterogêneo. “Temos, portanto, um mercado de trabalho que apresenta indicadores relevantes de expansão da ocupação e da renda, mas que é, ao mesmo tempo, profundamente heterogêneo. Essa diversidade econômica chega ao Direito e aos Tribunais, daí surge o alerta”, observou.

SEGURANÇA JURÍDICA COMO GARANTIA PARA EMPRESAS E TRABALHADORES

Chalfun chamou a atenção para o elevado volume de processos que chega à Justiça do Trabalho e para a responsabilidade dos tribunais diante desse cenário. Em Minas Gerais, o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG) registrou 475.151 casos novos em 2025, evidenciando a dimensão da demanda que chega ao Judiciário trabalhista em Minas Gerais. Para ele, a segurança jurídica não pode ser compreendida como uma reivindicação exclusivamente empresarial. Trata-se, segundo ele, de uma garantia que interessa a toda a sociedade. “A segurança jurídica traz tranquilidade ao empregador no ato da contratação e, simultaneamente, protege o empregado, que precisa conhecer os limites e a extensão de seus direitos”, analisa.
As mudanças tecnológicas e econômicas alteraram a forma como as pessoas trabalham, como as empresas contratam e como os serviços são prestados. Para o presidente da OAB-MG, cabe às instituições e aos tribunais acompanhar esse processo com equilíbrio, coerência e previsibilidade.
“A segurança jurídica interessa ao empresário, que precisa tomar decisões e realizar investimentos, mas interessa igualmente ao trabalhador, que precisa reconhecer os seus direitos. O papel das instituições é justamente contribuir para que esses interesses possam conviver em um ambiente de confiança, estabilidade e respeito à Constituição”, concluiu.

FECOMÉRCIO MG DESTACA FORÇA DO SETOR

Durante o encontro, representantes da área jurídica Fecomércio MG ressaltaram a dimensão e a relevância da atuação da entidade na economia mineira e na defesa dos interesses do setor terciário. A Federação representa mais de 1 milhão de empresas em Minas Gerais, segundo dados apresentados durante o evento, e o setor gera mais de 3,2 milhões de postos de trabalho no Estado. A atuação da entidade envolve a representação institucional do comércio de bens, serviços e turismo e a defesa de um ambiente favorável ao empreendedorismo, à geração de empregos e ao desenvolvimento econômico.

Ao longo de sua trajetória, a Fecomércio MG tem atuado na interlocução com os poderes públicos e demais instituições na defesa das atividades empresariais, especialmente em temas que impactam diretamente o ambiente de negócios e as relações de trabalho.
Nesse cenário, o diálogo com instituições como a OAB-MG ganha importância diante da necessidade de construir soluções que conciliem segurança jurídica, proteção dos trabalhadores, liberdade econômica e capacidade de adaptação das empresas às novas condições do mercado.

Comments are closed.