{"id":7486,"date":"2026-08-01T07:30:53","date_gmt":"2026-08-01T10:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/2026\/08\/01\/o-agro-e-a-nova-geopolitica-do-comercio\/"},"modified":"2026-08-01T07:30:53","modified_gmt":"2026-08-01T10:30:53","slug":"o-agro-e-a-nova-geopolitica-do-comercio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/2026\/08\/01\/o-agro-e-a-nova-geopolitica-do-comercio\/","title":{"rendered":"O agro e a nova geopol\u00edtica do com\u00e9rcio"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Ant\u00f4nio Pitangui de Salvo, produtor rural, engenheiro agr\u00f4nomo e presidente do Sistema Faemg Senar<\/em><\/p>\n<p>A geopol\u00edtica voltou ao centro das decis\u00f5es econ\u00f4micas globais. As disputas entre grandes pot\u00eancias, o avan\u00e7o do protecionismo e a fragmenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional est\u00e3o redesenhando as rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses. Quest\u00f5es antes restritas \u00e0 diplomacia passaram a influenciar diretamente o fluxo de mercadorias, os investimentos e o acesso aos mercados.<br \/>H\u00e1 hoje uma crescente polariza\u00e7\u00e3o entre <strong>Estados Unidos <\/strong>e <strong>China<\/strong>. Ao mesmo tempo, a Uni\u00e3o Europeia endurece suas exig\u00eancias sanit\u00e1rias, ambientais e regulat\u00f3rias. Nesse contexto, n\u00e3o basta ao Brasil produzir alimentos com efici\u00eancia. \u00c9 preciso preservar a capacidade de dialogar e negociar com todos os parceiros comerciais. Talvez essa seja uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es do agro brasileiro atualmente.<\/p>\n<p>Quando disputas ideol\u00f3gicas interferem nas rela\u00e7\u00f5es comerciais, perde o produtor, perde a ind\u00fastria e perde o pa\u00eds. Os sinais desse novo cen\u00e1rio j\u00e1 s\u00e3o evidentes. Os Estados Unidos ampliam a press\u00e3o sobre produtos brasileiros por meio da <strong>Se\u00e7\u00e3o 301<\/strong>, impondo tarifas adicionais que atingem uma parcela significativa das exporta\u00e7\u00f5es. Mas, vale destacar que a inclus\u00e3o de mais produtos do agro brasileiro entre as exce\u00e7\u00f5es \u00e0s tarifas dos EUA demonstra a relev\u00e2ncia da nossa produ\u00e7\u00e3o para o mercado norte-americano.\u00a0<br \/>Na <strong>Uni\u00e3o Europeia<\/strong>, al\u00e9m das dificuldades para concluir o acordo com o Mercosul, multiplicam-se as restri\u00e7\u00f5es. A pol\u00edtica de<strong> toler\u00e2ncia zero<\/strong> para determinadas subst\u00e2ncias na produ\u00e7\u00e3o de carne, somada \u00e0 exig\u00eancia de controles cada vez mais rigorosos, demonstra como barreiras regulat\u00f3rias podem limitar o acesso a mercados estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>A China, principal destino da carne bovina brasileira, tamb\u00e9m imp\u00f5e novos desafios. A <strong>sobretaxa de 55%<\/strong> para embarques que ultrapassarem a cota anual de 2026 mostra que at\u00e9 mesmo mercados estrat\u00e9gicos recorrem a mecanismos de prote\u00e7\u00e3o para resguardar seus interesses.<br \/>Al\u00e9m das tarifas, aumentam as exig\u00eancias relacionadas \u00e0 sustentabilidade, \u00e0 rastreabilidade e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas cadeias produtivas. Embora o Brasil possua uma das legisla\u00e7\u00f5es trabalhistas mais rigorosas do mundo, o desafio est\u00e1 em comprovar o cumprimento dessas regras. No com\u00e9rcio internacional, burocracia tamb\u00e9m custa mercado.<br \/>Tamb\u00e9m \u00e9 um equ\u00edvoco acreditar que restringir as exporta\u00e7\u00f5es tornar\u00e1 os alimentos mais baratos para os brasileiros. Na pr\u00e1tica, a redu\u00e7\u00e3o da renda no campo compromete investimentos, reduz a competitividade e enfraquece um dos setores que mais contribuem para a balan\u00e7a comercial brasileira.<\/p>\n<p>O Brasil precisa exercer uma lideran\u00e7a mais firme nas negocia\u00e7\u00f5es do Mercosul, especialmente na defini\u00e7\u00e3o das cotas de exporta\u00e7\u00e3o. Em Minas Gerais, os reflexos desse cen\u00e1rio j\u00e1 atingem cadeias importantes, como a do mel. Apesar da elevada competitividade, o produto brasileiro perdeu sua cota de exporta\u00e7\u00e3o para a Uni\u00e3o Europeia.<br \/>Mais do que nunca, o pa\u00eds precisa recuperar uma diplomacia comercial t\u00e9cnica e orientada pelos interesses nacionais. Em um mundo marcado por disputas geopol\u00edticas, negociar com todos tornou-se uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para preservar a competitividade do agroneg\u00f3cio e o crescimento da economia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O agro e a nova geopol\u00edtica do com\u00e9rcio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7487,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-7486","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sindijori_mg"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7486\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}