{"id":3340,"date":"2024-09-02T18:11:39","date_gmt":"2024-09-02T21:11:39","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/?p=3340"},"modified":"2024-09-02T18:14:40","modified_gmt":"2024-09-02T21:14:40","slug":"os-guardados-da-memoria-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/index.php\/2024\/09\/02\/os-guardados-da-memoria-4\/","title":{"rendered":"Os guardados da mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3340\" class=\"elementor elementor-3340\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-092f604 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"092f604\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fac5601 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"fac5601\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Os guardados da mem\u00f3ria<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3ff5af9 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"3ff5af9\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fddecc7 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"fddecc7\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c46dc01 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c46dc01\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>A mem\u00f3ria, esse ba\u00fa incr\u00edvel, faz a sele\u00e7\u00e3o do que quer e de como quer guardar as lembran\u00e7as da gente. Remexendo no meu ba\u00fa, revisitei lembran\u00e7as do tempo em que a Avenida Petrolina deixou de ser um caminho, uma travessia, uma aventura, e passou a ser uma possibilidade de mais um lugar para se construir casas, pr\u00e9dios e dar vaz\u00e3o ao tr\u00e2nsito de pessoas e de ve\u00edculos diversos.<\/p><p>Ali, existia um c\u00f3rrego com peixinhos e sapinhos. Crian\u00e7as e adultos &#8220;pescavam&#8221; naquele lugar. Para as missas de domingo na igreja cat\u00f3lica do Horto, quem morava do lado contr\u00e1rio ao da igreja, precisava atravessar a pinguela sobre o c\u00f3rrego. Anos e anos foi assim. Eu me lembro muito bem, que naquela \u00e9poca, para se chegar at\u00e9 o alto do Sagrada Fam\u00edlia, onde hoje \u00e9 cheio de pr\u00e9dios: Ruas Santo Agostinho, S\u00e3o Joaquim, S\u00e3o Roque, Itacoatiara, Alegrete, Cabrobr\u00f3 e outras, era uma grande aventura. A urbaniza\u00e7\u00e3o al\u00ed, s\u00f3 foi ampliada l\u00e1 pela d\u00e9cada de 70.<\/p><p>O Campo do Grota, na Rua Cabrobr\u00f3, era disputad\u00edssimo pelos times de v\u00e1rzea. Nos domingos, eu ouvia os irm\u00e3os e seus amigos combinando disputas de campeonatos ou mesmo, &#8220;peladas&#8221; no disputado local. Na minha cabe\u00e7a, os times faziam verdadeiras viagens de desbravamento pela mata selvagem do bairro proibido, at\u00e9 chegarem ao campo. Meus pais n\u00e3o deixavam as meninas irem ao alto do Sagrada Fam\u00edlia sem boas e confi\u00e1veis companhias. Era muito perigoso! Uma fagulha de mem\u00f3ria me acorda um fato desses tempos; na \u00e9poca de natal era comum os jovens, homens, irem onde hoje \u00e9 a Avenida Jos\u00e9 C\u00e2ndido da Silveira e redondezas do bairro Sagrada Fam\u00edlia\/ Cidade Nova, cortar galhos de pinheiros e de outras \u00e1rvores para os arranjos natal\u00ednos. Naquela \u00e9poca era comum cobrir as \u00e1rvores com algod\u00e3o para enfeitar as casas e esperar o Papai Noel. \u00c9 assim que as hist\u00f3rias v\u00e3o saindo do meu ba\u00fa&#8230; Um entrelace particular\u00edssimo de fagulhas recheadas de fantasia e realidade sobre os fatos vividos ou revelados pelos comuns \u00e0 minha vida no bairro.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ec4c4b2 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"ec4c4b2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"945\" height=\"950\" src=\"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-3341\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963.jpg 945w, https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963-497x500.jpg 497w, https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963-298x300.jpg 298w, https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963-768x772.jpg 768w, https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963-75x75.jpg 75w, https:\/\/jornalnossahistoria.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Bairro-Sagrada-Familia-em-1963-480x483.jpg 480w\" sizes=\"(max-width:767px) 480px, (max-width:945px) 100vw, 945px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b23f5ce e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"b23f5ce\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7572bbf elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7572bbf\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Uma passagem interessante recordada sobre os tempos da &#8220;Petrolina-C\u00f3rrego&#8221; \u00e9 a da Mercearia do Nacif, ali na esquina da rua S\u00e3o Felipe com Rua Jo\u00e3o Carlos; d\u00e1 at\u00e9 \u00e1gua na boca lembrar o delicioso picol\u00e9 de groselha, cil\u00edndrico, vermelho e docinho, docinho&#8230; Eu e a meninada que buscava \u00e1gua na bica da Petrolina, ou atravess\u00e1vamos a pinguela para irmos ao catecismo na igreja do horto, junt\u00e1vamos moedas para comprar o sonhado picol\u00e9 de groselha. Verdadeiro sonho que ia se desfazendo no sabor, na cor e na forma, mas que alimentava com simplicidade corpo e alma daquelas crian\u00e7as&#8230; Outros visitantes dessa mem\u00f3ria dos sabores me vem junto com a groselha; &#8220;Amendoim, torradim&#8221;&#8230;&#8221;Amendoim, torradim&#8221;&#8230; Nos finais de tarde, vestido com seu terno branco e seu chap\u00e9u estilo Panam\u00e1 e se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria, sem uma das m\u00e3os, l\u00e1 vinha o torradim: homem negro de voz forte, vendendo o seu amendoim. Era bem na hora do lusco- fusco, hora em que o dia dava lugar para a noite e abria espa\u00e7o para a lua e suas fase, as estrelas e seus mist\u00e9rios&#8230; Amendoim torradim&#8230; Chego a sentir o cheiro daquele amendoim torrado, guardado em papel e aquecido na lata com brasa&#8230; Ah, mem\u00f3ria, mem\u00f3ria&#8230; Os pirulitos enrolados no palito. Os beijus vendidos nas latas azuis em formato de cil\u00edndros, anunciados pela matraca. Mexe que mexe, encontro no fundo do ba\u00fa, um tempo n\u00e3o mensurado em que a mulher papuda passava na rua vendendo dobradinha em latas carregadas na cabe\u00e7a sobre rodilhas de pano. Ela vinha anunciando o seu produto pela rua a fora. Equilibrava a lata na cabe\u00e7a sem segurar com as m\u00e3os. Um pano branco cobria a boca da lata. Minha m\u00e3e era freguesa dessa mulher. Elas j\u00e1 sabiam de antem\u00e3o o que vender e o que comprar. O peda\u00e7o preferido pela minha m\u00e3e,era mostrado com orgulho pela mulher de papo. Minha m\u00e3e examinava-o com m\u00e3os, olhos e nariz, numa investiga\u00e7\u00e3o minuciosa e s\u00f3 depois aceitava o produto. Pagava o devido e depois era s\u00f3 esperar pelo prato de dobradinha com batata ou com feij\u00e3o branco no almo\u00e7o do outro dia. Dava um trabalh\u00e3o danado preparar a tal dobradinha&#8230; Hoje j\u00e1 n\u00e3o fa\u00e7o mais dobradinha em casa. A mo\u00e7ada n\u00e3o aprecia.Essa mesma mulher vendia laranja da terra descascada e cortada em fatias para fazer doce. Ainda, naquela vendedora ambulante podia-se comprar um delicioso licor de pequi dos deuses. Eu adorava quando minha m\u00e3e comprava o licor. Ele era amarelo e cheiroso. Minha m\u00e3e deixava eu tomar um pequeno gole e era muito, muito gostoso. Que saudade!&#8230; E a Avenida Petrolina? Pois \u00e9, conversando recentemete com um vizinho aqui da Rua Pitangui, O Ti\u00e3o Cineasta, apaixonado pelo Guimar\u00e3es Rosa, ele me contou sobre a escolha do nome da avenida. Era para ser, Avenida Brasilina em homenagem ao antigo nome do bairro: Vila Brasilina, mas o encarregado do projeto de nomea\u00e7\u00e3o se confundiu e lascou um Avenida Petrolina&#8230; Outra que fiquei sabendo foi sobre a \u00e1gua t\u00e3o disputada na fonte da avenida: diz que ali, foi constru\u00eddo um po\u00e7o artesiano, na \u00e9poca da falta d&#8217;\u00e1gua e que \u00e9 desse po\u00e7o que sai a t\u00e3o querida \u00e1gua de Petrolina&#8230; O certo \u00e9 que \u00e1guas rolam por debaixo da avenida. Nosso bairro tem v\u00e1rios pontos escondidos de minas d&#8217;\u00e1gua. O acelerado do tempo mostra hoje uma paisagem urbanizada de acordo com as necessidades atuais, mas as lembran\u00e7as, essas, n\u00e3o se apagam e certamente viajam de v\u00e1rios modos na cabe\u00e7a de cada morador do Sagrada Fam\u00edlias nascidos e criados nas d\u00e9cadas de seu come\u00e7o. A vida segue em frente e isso \u00e9 fato. Mas recordar nos ajuda a seguir cantando nossa hist\u00f3ria e nos orgulhar de fazermos parte desse bairro t\u00e3o querido.<\/p><p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p><p><strong><em>Madu Costa<\/em><\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os guardados da mem\u00f3ria A mem\u00f3ria, esse ba\u00fa incr\u00edvel, faz a sele\u00e7\u00e3o do que quer e de como quer guardar as lembran\u00e7as da gente. 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